Manuel nasceu em 1961 em São Paulo, mas sua família o trouxe ainda bebê para Fortaleza. A mãe o
entregou aos cuidados da avó paterna, visitando-o esporadicamente. Sofreu mais influência do pai alcoólatra violento e dos tios igualmente terríveis. Dizem que foi abusado por um primo dos doze aos quinze anos. E apesar de Sete couros se declarar bissexual em certa altura da vida, não gostava de ter relações com o primo e isso provavelmente mexeu com sua cabeça. O primo morreu afogado num banho de rio, num passeio ao interior. Ocasião em que Manuel estava presente. Várias suposições de que ele afogou o primo surgiram. Inclusive as testemunhas que até hoje insistem em dizer que viram Manuel sendo amável com o primo pela primeira vez, tentando convencê-lo a ir nadarem numa parte mais funda. Como era um excelente nadador, teria usado suas habilidades para sobrepujar o outro que não conseguia enfrentar em outra situação. Aos dezesseis anos, movido pelo vício em maconha, começou a roubar. Também descobriram que matava bichos e lhes curtia o couro. Ao serem descoberto sete peles de gatos que guardava sob a cama, veio a sua alcunha. Foi também nessa época que cometeu seu primeiro assassinato comprovado. Ficou até os 18 anos na FEBEM. Saiu de lá e continuou a vida de crime como se nada tivesse acontecido. Praticava pequenos roubos apenas para as pequenas despesas e vícios. Aos dezenove anos foi acusado de praticar abusos sexuais com a irmã de uma mulher com quem tinha relações. Acabou ficando livre por conseguir convencer a vítima a mudar o depoimento. Depois disso não parou mais. Sempre surgiam denúncias de que tinha atacado moças e rapazinhos que viviam em situação de risco na favela onde morava, ou então em outros locais onde frequentavam outros desamparados como sinais de trânsito, esquinas, bares e zonas de prostituição. Apesar de beber e fumar maconha, Sete couros nunca foi adepto de drogas pesadas ou era visto demasiado embriagado. Apesar de violento, a maior parte do tempo vivia tranquilo vadiando pelas esquinas, à caça de potenciais vítimas. Houve uma época que chamou a atenção por levar sempre a tiracolo uma bolsa de tecido com um velho exemplar do Livro de São Cipriano. Acreditava extrair do suposto livro de feitiçaria, truques mágicos para se dar bem na vida. Curiosamente, foi nessa época que viveu de maneira mais próspera, chegando a sair do barraco em que vivera a vida toda para morar numa casa razoável. Foi nesse tempo que eu o via com frequência no bar que havia na rua da minha avó. Recordo bem que, como os meninos e meninas do bairro, eu era advertido a ter cuidado com Sete couros, pois ele atacava qualquer um. Ouvia também falar de suas brigas e uma ocasião em que esfaqueara dois homens numa disputa. Na minha pesquisa, descobri que ele tinha matado dois irmãos que lhe ameaçaram. Passou algum tempo foragido, mas depois regressou ao bairro e continuou sua vida normalmente. Nesse tempo, a avó de Sete couros, a única pessoa de quem recebera certo afeto, fora encontrada morta dentro de casa. A mulher de mais de oitenta anos fora morta e estuprada na própria residência. Isso com certeza perturbou ainda mais a cabeça de Sete couros, um homem que não podia compreender um mundo que não fosse constituído de ódios inexplicáveis e violência.
entregou aos cuidados da avó paterna, visitando-o esporadicamente. Sofreu mais influência do pai alcoólatra violento e dos tios igualmente terríveis. Dizem que foi abusado por um primo dos doze aos quinze anos. E apesar de Sete couros se declarar bissexual em certa altura da vida, não gostava de ter relações com o primo e isso provavelmente mexeu com sua cabeça. O primo morreu afogado num banho de rio, num passeio ao interior. Ocasião em que Manuel estava presente. Várias suposições de que ele afogou o primo surgiram. Inclusive as testemunhas que até hoje insistem em dizer que viram Manuel sendo amável com o primo pela primeira vez, tentando convencê-lo a ir nadarem numa parte mais funda. Como era um excelente nadador, teria usado suas habilidades para sobrepujar o outro que não conseguia enfrentar em outra situação. Aos dezesseis anos, movido pelo vício em maconha, começou a roubar. Também descobriram que matava bichos e lhes curtia o couro. Ao serem descoberto sete peles de gatos que guardava sob a cama, veio a sua alcunha. Foi também nessa época que cometeu seu primeiro assassinato comprovado. Ficou até os 18 anos na FEBEM. Saiu de lá e continuou a vida de crime como se nada tivesse acontecido. Praticava pequenos roubos apenas para as pequenas despesas e vícios. Aos dezenove anos foi acusado de praticar abusos sexuais com a irmã de uma mulher com quem tinha relações. Acabou ficando livre por conseguir convencer a vítima a mudar o depoimento. Depois disso não parou mais. Sempre surgiam denúncias de que tinha atacado moças e rapazinhos que viviam em situação de risco na favela onde morava, ou então em outros locais onde frequentavam outros desamparados como sinais de trânsito, esquinas, bares e zonas de prostituição. Apesar de beber e fumar maconha, Sete couros nunca foi adepto de drogas pesadas ou era visto demasiado embriagado. Apesar de violento, a maior parte do tempo vivia tranquilo vadiando pelas esquinas, à caça de potenciais vítimas. Houve uma época que chamou a atenção por levar sempre a tiracolo uma bolsa de tecido com um velho exemplar do Livro de São Cipriano. Acreditava extrair do suposto livro de feitiçaria, truques mágicos para se dar bem na vida. Curiosamente, foi nessa época que viveu de maneira mais próspera, chegando a sair do barraco em que vivera a vida toda para morar numa casa razoável. Foi nesse tempo que eu o via com frequência no bar que havia na rua da minha avó. Recordo bem que, como os meninos e meninas do bairro, eu era advertido a ter cuidado com Sete couros, pois ele atacava qualquer um. Ouvia também falar de suas brigas e uma ocasião em que esfaqueara dois homens numa disputa. Na minha pesquisa, descobri que ele tinha matado dois irmãos que lhe ameaçaram. Passou algum tempo foragido, mas depois regressou ao bairro e continuou sua vida normalmente. Nesse tempo, a avó de Sete couros, a única pessoa de quem recebera certo afeto, fora encontrada morta dentro de casa. A mulher de mais de oitenta anos fora morta e estuprada na própria residência. Isso com certeza perturbou ainda mais a cabeça de Sete couros, um homem que não podia compreender um mundo que não fosse constituído de ódios inexplicáveis e violência.

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