A
coisa começou quando o primeiro foi encontrado morto na calçada da casa dela. A
casa
desocupada onde Daniela tinha sido estuprada e morta por três homens.
Agora vazia, as portas e janelas fechadas com tijolos, não para que ninguém
entrasse, mas para que não fosse visto seu interior e supostas aparições.
Outros achavam melhor como estava. O reboco caindo e o jardim repleto de ervas
daninhas completavam a imagem de desolação. O morto fora esfaqueado e jazia de
barriga para cima. Tinha inúmeras perfurações, os olhos abertos fitando o céu.
Provavelmente tinha encarado seu algoz com expressão parecida. Nas mãos, muitos
ferimentos de defesa. O inusitado eram os múltiplos golpes aplicados nas
nádegas do indivíduo. Isso indicava o caráter da punição. Imediatamente as
pessoas começaram a falar que o espírito de Daniela era espírito vingador. A
garota, quando viva, chamava atenção no bairro porque era muito jovem, 21 anos
e dependente. Trabalhava e cursava enfermagem. Era uma pessoa bondosa que
ajudava velhos e pobres em trabalho voluntário. E chamava a atenção por morar
sozinha. Era praticamente uma menina, mas vivia sem companhia alguma numa casa
enorme, fruto de rompimento com a família. Uma noite, três indivíduos invadiram
a residência, violentaram-na e depois a mataram. A vizinhança ficou chocada.
Depois passaram a dizer que seu fantasma podia ser visto em prantos pela janela,
diante da porta. Alguns evitavam olhar a residência, principalmente à noite,
outros faziam o contrário e declaravam que a garota era uma espécie de santa.
Um dia fecharam tudo com tijolos. Sabiam quem tinha cometido o crime, mas
naquela periferia violenta e assustada, esquecida, reinava o silêncio e a
impunidade. “Mas eles vão pagar!”, diziam as pessoas. “Ela era um anjo em
vida!” Em menos de um ano depois do crime, estavam todos mortos. Teve esse na
calçada, com incontáveis perfurações, muitas no traseiro. O outro foi,
incrivelmente empalado num poste de metal, a placa que tinha nele, amassada e
jogada no chão. Foi bem na esquina da rua onde Dani vivera. Encontrado também
ao amanhecer. Os peritos disseram que tal exibição macabra só seria possível
com ajuda de pelo menos 3 homens fortes, que o povo da rua devia estar
mentindo, omitindo alguma coisa. Mas as pessoas balançavam a cabeça diziam:
“Foi a Dani!” O terceiro agressor começou a padecer de problemas mentais.
Confessou o delito em público, dizia que via a garota pelos cantos, que ela
falava que ele teria destino pior que seus cúmplices. Ele ficou vivendo em
situação deplorável, quase como um mendigo. Desapareceu. Semanas depois
percebeu-se um cheiro de pobre vindo da residência de Dani. Encontraram o
estuprador morto em seu interior. Deixara um bilhete confessando mais uma vez
seu crime. Acreditou-se que entrara por cima da casa, afastando as telhas e
depois colocando-as de volta cuidadosamente. O que ninguém sabia era como tinha
sido degolado. De maneira tão vigorosa que quase teve a cabeça separada do
corpo. Para a vizinhança não havia dúvidas de quem assassinara os homens.
Nenhum comentário:
Postar um comentário