segunda-feira, 27 de maio de 2019

DANI MORTA (Conto de terror)

A coisa começou quando o primeiro foi encontrado morto na calçada da casa dela. A casa
desocupada onde Daniela tinha sido estuprada e morta por três homens. Agora vazia, as portas e janelas fechadas com tijolos, não para que ninguém entrasse, mas para que não fosse visto seu interior e supostas aparições. Outros achavam melhor como estava. O reboco caindo e o jardim repleto de ervas daninhas completavam a imagem de desolação. O morto fora esfaqueado e jazia de barriga para cima. Tinha inúmeras perfurações, os olhos abertos fitando o céu. Provavelmente tinha encarado seu algoz com expressão parecida. Nas mãos, muitos ferimentos de defesa. O inusitado eram os múltiplos golpes aplicados nas nádegas do indivíduo. Isso indicava o caráter da punição. Imediatamente as pessoas começaram a falar que o espírito de Daniela era espírito vingador. A garota, quando viva, chamava atenção no bairro porque era muito jovem, 21 anos e dependente. Trabalhava e cursava enfermagem. Era uma pessoa bondosa que ajudava velhos e pobres em trabalho voluntário. E chamava a atenção por morar sozinha. Era praticamente uma menina, mas vivia sem companhia alguma numa casa enorme, fruto de rompimento com a família. Uma noite, três indivíduos invadiram a residência, violentaram-na e depois a mataram. A vizinhança ficou chocada. Depois passaram a dizer que seu fantasma podia ser visto em prantos pela janela, diante da porta. Alguns evitavam olhar a residência, principalmente à noite, outros faziam o contrário e declaravam que a garota era uma espécie de santa. Um dia fecharam tudo com tijolos. Sabiam quem tinha cometido o crime, mas naquela periferia violenta e assustada, esquecida, reinava o silêncio e a impunidade. “Mas eles vão pagar!”, diziam as pessoas. “Ela era um anjo em vida!” Em menos de um ano depois do crime, estavam todos mortos. Teve esse na calçada, com incontáveis perfurações, muitas no traseiro. O outro foi, incrivelmente empalado num poste de metal, a placa que tinha nele, amassada e jogada no chão. Foi bem na esquina da rua onde Dani vivera. Encontrado também ao amanhecer. Os peritos disseram que tal exibição macabra só seria possível com ajuda de pelo menos 3 homens fortes, que o povo da rua devia estar mentindo, omitindo alguma coisa. Mas as pessoas balançavam a cabeça diziam: “Foi a Dani!” O terceiro agressor começou a padecer de problemas mentais. Confessou o delito em público, dizia que via a garota pelos cantos, que ela falava que ele teria destino pior que seus cúmplices. Ele ficou vivendo em situação deplorável, quase como um mendigo. Desapareceu. Semanas depois percebeu-se um cheiro de pobre vindo da residência de Dani. Encontraram o estuprador morto em seu interior. Deixara um bilhete confessando mais uma vez seu crime. Acreditou-se que entrara por cima da casa, afastando as telhas e depois colocando-as de volta cuidadosamente. O que ninguém sabia era como tinha sido degolado. De maneira tão vigorosa que quase teve a cabeça separada do corpo. Para a vizinhança não havia dúvidas de quem assassinara os homens.

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