Mais comprovações sobre o
maníaco surgiram, apesar de ele não dizer uma só palavra. Provas e
mais provas materiais indicavam a atividade do sujeito sem deixar qualquer dúvida. Especialistas declararam que o homem, apesar de ser fisicamente capaz de falar, tinha algum problema psicológico que o impedia. Não era resistência, a sessão de pancadaria na delegacia corroborava esse diagnóstico. Mas o certo é que ele era perverso e perigoso, apesar de parecer inofensivo. Em certa ocasião agrediu um dos seus carcereiros quebrando-lhe a mandíbula. Psiquiatras forenses se acercaram dele cobrindo-o de escrutínio e teorias. De qualquer maneira, iria ficar preso por muito tempo. Marcelo Pão de Queijo voltou para casa numa cinzenta tarde de domingo. As pessoas se sentiram envergonhadas pelo que tinha feito com ele, mas não o suficiente para irem lhe pedir desculpas. Na verdade, me pareceu que daquele momento em diante, Marcelo Pão de Queijo estava condenado. Ninguém foi à sua casa perguntar como estava. Nem mesmo o sr. Benício, homem mais sensato entre nós. Meus pais limitaram-se a dizer que era bom que tudo estivesse esclarecido, assim como a maioria, mas ficaram indiferentes. Marcelo tentou voltar a sua rotina enquanto as pessoas mais empolgadas picharam e depredaram a casa onde o verdadeiro maníaco fora encontrado, embora a residência não fosse dele. Numa noite particularmente quente, invadiram-na e em vingança arrancaram a maioria de suas portas e janelas. Agora surgiam várias teorias, explicações e histórias sobre o verdadeiro matador que ninguém tinha reparado, vivia clandestinamente, no nosso meio. Muita gente naquele momento alegou recorda-lo, garantindo tê-lo visto em duas ou três estranhas ocasiões. E dizia saber que percebera que tinha algo de errado com ele. Marcelo voltou a fabricar seus salgados, mas ao leva-las aos compradores habituais, eles não quiseram sua mercadoria. Alegaram terem contatados novos fornecedores em sua ausência. Marcelo agradeceu e tentou vender seu produto na rua. Em nosso bairro não teve êxito. Nenhuma criança o perseguia mais. As pessoas agiam como se ainda houvesse a possibilidade de que fosse o assassino e tivesse colocado carne de defunto em seus salgados. Marcelo perdeu mercadoria, só conseguia algumas vendas se fosse para bairros mais distantes. E então veio o inverno. O frio e a condição das ruas, o atrapalharam. Ele permaneceu isolado, sozinho, assustador para a maioria, principalmente as crianças. A prisão do verdadeiro maníaco o libertou da cadeia, mas não do receio doentio do povo. Foi definhando aos poucos. Andando pelo bairro sem seu produtos e bicicleta, sem amigos ou compreensão. Um dia o encontraram morto, enforcado na sala de sua casa. Só o perceberam quando o cheiro do seu corpo emanara o odor que tinham sentido no bairro alguns meses atrás. Agora o fedor de carne podre era responsabilidade de Marcelo Pão de Queijo. O homem que vendia tudo, exceto pão de queijo.
mais provas materiais indicavam a atividade do sujeito sem deixar qualquer dúvida. Especialistas declararam que o homem, apesar de ser fisicamente capaz de falar, tinha algum problema psicológico que o impedia. Não era resistência, a sessão de pancadaria na delegacia corroborava esse diagnóstico. Mas o certo é que ele era perverso e perigoso, apesar de parecer inofensivo. Em certa ocasião agrediu um dos seus carcereiros quebrando-lhe a mandíbula. Psiquiatras forenses se acercaram dele cobrindo-o de escrutínio e teorias. De qualquer maneira, iria ficar preso por muito tempo. Marcelo Pão de Queijo voltou para casa numa cinzenta tarde de domingo. As pessoas se sentiram envergonhadas pelo que tinha feito com ele, mas não o suficiente para irem lhe pedir desculpas. Na verdade, me pareceu que daquele momento em diante, Marcelo Pão de Queijo estava condenado. Ninguém foi à sua casa perguntar como estava. Nem mesmo o sr. Benício, homem mais sensato entre nós. Meus pais limitaram-se a dizer que era bom que tudo estivesse esclarecido, assim como a maioria, mas ficaram indiferentes. Marcelo tentou voltar a sua rotina enquanto as pessoas mais empolgadas picharam e depredaram a casa onde o verdadeiro maníaco fora encontrado, embora a residência não fosse dele. Numa noite particularmente quente, invadiram-na e em vingança arrancaram a maioria de suas portas e janelas. Agora surgiam várias teorias, explicações e histórias sobre o verdadeiro matador que ninguém tinha reparado, vivia clandestinamente, no nosso meio. Muita gente naquele momento alegou recorda-lo, garantindo tê-lo visto em duas ou três estranhas ocasiões. E dizia saber que percebera que tinha algo de errado com ele. Marcelo voltou a fabricar seus salgados, mas ao leva-las aos compradores habituais, eles não quiseram sua mercadoria. Alegaram terem contatados novos fornecedores em sua ausência. Marcelo agradeceu e tentou vender seu produto na rua. Em nosso bairro não teve êxito. Nenhuma criança o perseguia mais. As pessoas agiam como se ainda houvesse a possibilidade de que fosse o assassino e tivesse colocado carne de defunto em seus salgados. Marcelo perdeu mercadoria, só conseguia algumas vendas se fosse para bairros mais distantes. E então veio o inverno. O frio e a condição das ruas, o atrapalharam. Ele permaneceu isolado, sozinho, assustador para a maioria, principalmente as crianças. A prisão do verdadeiro maníaco o libertou da cadeia, mas não do receio doentio do povo. Foi definhando aos poucos. Andando pelo bairro sem seu produtos e bicicleta, sem amigos ou compreensão. Um dia o encontraram morto, enforcado na sala de sua casa. Só o perceberam quando o cheiro do seu corpo emanara o odor que tinham sentido no bairro alguns meses atrás. Agora o fedor de carne podre era responsabilidade de Marcelo Pão de Queijo. O homem que vendia tudo, exceto pão de queijo.

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