O julgamento público de
Marcelo Pão de Queijo foi sumario. Como não podiam colocar as mãos no
homem, se
voltaram contra sua casa. Primeiro jogaram lixo em sua porta, picharam a
fachada e depois atiraram pedras e garrafas no seu teto. Após isso, mesmo com
interdição da polícia, tentaram invadir a casa para destruir tudo que houvesse
nela. As autoridades vieram e a coisa ficou feia com algumas pessoas levando
socos e pontapés para se afastarem da casa de Marcelo. Nossa rua tinha se
tornado um palco de horror. Não se falava em outra coisa e as especulações não
paravam de crescer. Diziam que Marcelo passara a vida fazendo o que tinha de
pior no mundo com garotos debaixo dos nossos narizes. Seu trabalho devia ser só
fachada. Muito provável que violasse os meninos sexualmente e depois consumisse
sua carne ou as colocasse em seus salgados. O erro dele devia ter sido praticar
o ato com crianças próximas. Perguntavam-se quantas maldades não teria
praticado por aí em suas andanças. Marcelo Pão de Queijo estava atrás das
grades e não conseguiu evitar que os colegas de cela soubessem o porquê de sua
prisão. Uma noite, três presos o surraram bastante e por pouco não conseguiram
realizar seu maior intento: introduzir um cabo de vassoura no seu reto. Ainda
assim, consta que eles o sodomizaram um após o outro. Alguns dias se passaram
sem que o interesse nesses acontecimentos arrefecesse e então o que tinha
trazido os policiais à residência de Marcelo, se repetiu. A polícia foi
novamente chamada por causa de odores estranhos na casa do homem. Mesmo os
agentes da lei mais experientes, se surpreenderam com o que encontraram. Mais
despojos humanos espalhados sobre a laje na parte posterior da casa de Marcelo
Pão de Queijo. Consequentemente o choque: o vendedor de salgados era
provavelmente inocente e o matador estava solto. A polícia resolveu fazer uma
busca geral pelas casas vizinhas, incluindo quintais e terrenos adjacentes. Se
depararam com uma residência de dois andares que supostamente devia estar
fechada, moradores. No entanto, lá estava um indivíduo andrajoso que não
respondeu a nada que os policiais perguntaram. No interior da residência havia
sangue coagulado e roupas de crianças. A casa dividia dois terços de sua
largura com os fundos da casa de Marcelo. De seu segundo andar dava pra ver os
tetos dos vizinhos. Para a polícia foi mais fácil que juntar dois mais dois.
Ali estava o verdadeiro maníaco. E isso ficou ainda mais claro quando mais
restos mortais foram achados enfiados num velho freezer. Neste meio, estavam os
crânios das vítimas. Aparentemente o homem – que parecia sofrer de problemas
mentais – não tendo mais espaço, simplesmente jogou algumas partes dos corpos
sobre a laje descoberta de Marcelo Pão de Queijo.
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