O povo da rua, bastante
curioso se postou nas portas e portões de suas casas para ver o aconteceria.
Marcelo recebeu os policiais. Eles entraram e então depois de pouco tempo
saíram com o vendedor de salgados algemado. Ele foi colocado no banco de trás
do carro de polícia. Logo outras viaturas vieram e um carro do instituto médico
legal. Nesse momento, pessoas de outras ruas tinham vindo acompanhar o terrível
espetáculo. As pessoas se acotovelavam e perguntavam insistentes o que tinha
acontecido. Marcelo Pão de Queijo fora preso por quê? Era ele que tinha pego
uma das crianças? O que havia na sua casa? Foi então que o sr. Benício, morador
da nossa rua que tinha servido como pracinha na segunda guerra mundial, fazendo
uso de personalidade forte e cativante, foi lá conversar com os policiais.
Voltou e disse que haviam encontrado partes de corpos de crianças na casa de
Marcelo. Ele era provavelmente o maníaco que tinha sequestrado e matado os
meninos. Obviamente que seria necessário um exame mais apurado sobre a
identidade das crianças. De qualquer maneira, havia na casa do homem restos
mortais. Quando a multidão soube disso, se juntou e tentou pegar Marcelo para
fazer um linchamento. Policiais interviram, atiraram para cima e conseguiram
leva-lo abrindo caminho no meio da turba enfurecida. Na delegacia, Marcelo Pão
de Queijo jurou inocência. A perícia apurou que havia pelo menos membros de
quatro crianças na laje da casa. Através de sinais particulares das mãos,
braços, pernas e torsos, identificou-se dois dos desaparecidos. Um terceiro,
embora não se tivesse certeza, podia muito bem ser do primeiro garoto, a quarta
vítima era totalmente desconhecida. Mesmo após duros interrogatórios seguidos,
um pouco de tortura, Marcelo continuou dizendo que era inocente. E ainda disse
que suspeitava que os corpos haviam sido jogados ali pelo vizinho de quintal.
Os homens da lei quiseram saber: se ele era mesmo inocente, por que não se
incomodara com o mal cheiro no teto de sua casa. Marcelo explicou que há anos
trabalhava com óleos, temperos, queijos e produtos que desprendiam cheiro
intenso e isso obscurecia seu olfato. Enquanto isso, no nosso bairro não se
falava em outra coisa a não ser em Marcelo Pão de Queijo, o homem que
esquartejava crianças usando como disfarce, a venda de salgados. Talvez até mesmo
usasse suas carnes para preparar seus quitutes.
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