terça-feira, 13 de agosto de 2019

REFLEXÕES DE UM JOVEM MATADOR (Conto de terror)

Estou aqui deitado, sozinho no escuro, pensando naquelas coisas e questionando minha sanidade
. Indagando a mim mesmo o que senti e porque senti... Coisas incompreensíveis que se misturam a sentimentos novos e conflitantes. Eu simplesmente experimentei uma satisfação imensa com o que fiz. Ainda sinto os braços trêmulos e o volume na minha mão esquerda... Todo o cheiro está em mim. E eu diria que não apenas de uma maneira física. Eu o sinto em minhas narinas, mas de uma maneira essencial. É difícil dizer. É como se o ato em si tivesse uma espécie de energia que pairasse sobre mim. É algo vivo e tangível, embora apenas pareça flutuar diante do meu peito e face. Falo assim, embora seja um sujeito que nunca descreveu as coisas de maneira esotérica. Além disso, algo em mim mudou. Claro que o assassinato deve mudar toda e qualquer pessoa que o pratique, mas no meu caso, creio que virei a chave da minha existência para um novo modo de vida. Um modo de vida que já estava lá, cuja suspeita eu observava surpreso e comedido. Eu mexo meus dedos e sinto também o sangue secando em minhas mãos e penso que foi para isso que elas foram feitas. Não deveria ter demorado tanto a cumprir seu propósito... Ou talvez eu tenha feito as coisas no momento certo. Tenho apenas 20 anos. Isso é ser jovem para qualquer profissão ou atividade na vida. Acho que sou um pouco maluco... Ou me tornei depois do que fiz. É nisso que eu mais penso. Não tenho nenhum remorso ou arrependimento, mas não acho que eu seja um psicopata. Creio que meus sentimentos pelas pessoas são apropriados. Gosto e odeio seres humanos normalmente e nunca maltratei animais ou fui desprovido de empatia. Penso que para ser um psicopata, isto é essencial. Ou não? Bem, não sou nenhum especialista. Só tenho certeza de que sou um pouco maluco... Entretanto não muito mais que a algumas pessoas. Falo dessa maluquice básica que movem os grandes gênios, artistas. Não que eu me ache uma pessoa brilhante, genial, mas creio estar acima da média. Descobri no assassinato um enorme prazer, um propósito de vida. Só isso. Sei que a maioria não pensa assim. Os que matam são em geral bandidos, pessoas se vingando ou completamente loucas. Não estou incluído em nenhum desses casos. Não nasci doente ou completamente insano, mas capaz de ver na morte uma espécie de obra de arte. Não, não devo ser o primeiro a pensar e dizer essas coisas. Talvez eu esteja aqui apenas para reafirmar que pessoas como eu existem. E que não somos simplesmente malucos ou perversos. Sou um assassino da mesma maneira que um gato nasce para se alimentar de carne. Não há necessidade de questionar isso. O que me incomoda agora um pouco é pensar que eu podia ter escolhido outras vítimas para começar. Matar meu irmão, pai e mãe logo de cara, pode ser algo extremo.

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