Estou
aqui deitado, sozinho no escuro, pensando naquelas coisas e questionando minha
sanidade
. Indagando a mim mesmo o que senti e porque senti... Coisas
incompreensíveis que se misturam a sentimentos novos e conflitantes. Eu
simplesmente experimentei uma satisfação imensa com o que fiz. Ainda sinto os
braços trêmulos e o volume na minha mão esquerda... Todo o cheiro está em mim.
E eu diria que não apenas de uma maneira física. Eu o sinto em minhas narinas,
mas de uma maneira essencial. É difícil dizer. É como se o ato em si tivesse
uma espécie de energia que pairasse sobre mim. É algo vivo e tangível, embora
apenas pareça flutuar diante do meu peito e face. Falo assim, embora seja um
sujeito que nunca descreveu as coisas de maneira esotérica. Além disso, algo em
mim mudou. Claro que o assassinato deve mudar toda e qualquer pessoa que o
pratique, mas no meu caso, creio que virei a chave da minha existência para um
novo modo de vida. Um modo de vida que já estava lá, cuja suspeita eu observava
surpreso e comedido. Eu mexo meus dedos e sinto também o sangue secando em
minhas mãos e penso que foi para isso que elas foram feitas. Não deveria ter
demorado tanto a cumprir seu propósito... Ou talvez eu tenha feito as coisas no
momento certo. Tenho apenas 20 anos. Isso é ser jovem para qualquer profissão
ou atividade na vida. Acho que sou um pouco maluco... Ou me tornei depois do
que fiz. É nisso que eu mais penso. Não tenho nenhum remorso ou arrependimento,
mas não acho que eu seja um psicopata. Creio que meus sentimentos pelas pessoas
são apropriados. Gosto e odeio seres humanos normalmente e nunca maltratei
animais ou fui desprovido de empatia. Penso que para ser um psicopata, isto é
essencial. Ou não? Bem, não sou nenhum especialista. Só tenho certeza de que
sou um pouco maluco... Entretanto não muito mais que a algumas pessoas. Falo
dessa maluquice básica que movem os grandes gênios, artistas. Não que eu me
ache uma pessoa brilhante, genial, mas creio estar acima da média. Descobri no
assassinato um enorme prazer, um propósito de vida. Só isso. Sei que a maioria
não pensa assim. Os que matam são em geral bandidos, pessoas se vingando ou
completamente loucas. Não estou incluído em nenhum desses casos. Não nasci
doente ou completamente insano, mas capaz de ver na morte uma espécie de obra
de arte. Não, não devo ser o primeiro a pensar e dizer essas coisas. Talvez eu
esteja aqui apenas para reafirmar que pessoas como eu existem. E que não somos
simplesmente malucos ou perversos. Sou um assassino da mesma maneira que um
gato nasce para se alimentar de carne. Não há necessidade de questionar isso. O
que me incomoda agora um pouco é pensar que eu podia ter escolhido outras
vítimas para começar. Matar meu irmão, pai e mãe logo de cara, pode ser algo
extremo.
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