sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O ESTRANHO CASO DO IRMÃOS URIAS (Conto de terror)

Fernando e Felipe Urias tinham respectivamente, doze e dez anos quando a mãe deles faleceu. Os
garotos moravam na periferia do Rio do Janeiro com a mãe, duas tias, a avó e alguns primos. O pai deles havia sumido a pelo menos cinco anos. A mãe, sofrendo de depressão, se enforcara numa árvore, no quintal de casa. Um mês após a morte dela, fenômenos estranhos começaram a acontecer. Objetos saíam do lugar, barulhos estranhos eram ouvidos pela madrugada, coisas pegavam fogo e desenhos escritos, com o que parecia ser sangue, surgiam nas paredes. A família que tinha ligação com grupos evangélicos, chamou os religiosos para interceder em orações pelos jovens. Logo na primeira intervenção, um jovem pastor viu um clarão surgir entre os garotos e teve seu rosto queimado. O homem disse que fora à casa com um certo ceticismo, mas comprovou que a coisa era para valer. Um grupo de obreiros se reuniu numa noite em volta dos jovens e logo se viram em meio a um turbilhão de objetos atirados contra eles. Apesar do testemunho de familiares e dos religiosos, muita gente achou que os garotos estavam fingindo. Ainda mais quando disseram que a mãe e outros espíritos falavam com eles. Segundo os garotos, a voz deles surgia de madrugada e não os deixava dormir. A tia deles disse ter ouvido vozes estranhas, nada parecida com a da irmã e que não podia garantir que fosse os meninos que não estivessem fazendo imitações. Um especialista em atividades paranormais foi até a casa da família Urias e disse estar em dúvida sobre o caso se tratar de um poltergeist ou haunting. No primeiro caso, se tratava de uma atividade psicocinetica ligada a um adolescente manipulando objetos involuntariamente. No segundo caso, se tratava-se de acontecimentos ligados a mortes violentas. No caso dos irmãos Urias havia características de ambos. O especialista disse que apesar de, em ambos os casos, haverem características comum, aquela situação em particular era diferente e indistinta. Outros especialistas vieram e embora um ou outro afirmasse ter classificado a situação devidamente, não houve propostas de uma solução. Outros religiosos vieram, mas a situação das crianças apenas piorou. Felipe sofrera terríveis queimaduras nas mãos e antebraços e Fernando tinha crises de choro e eles já não se alimentavam ou dormiam direito. Então veio um homem, em meio a tantos outros que visitavam a casa naqueles dias, que não alegou ser especialista em fenômenos paranormais e nem enviado de Deus. Ele fez um pequeno ritual lendo palavras ininteligíveis, lidas de um livro de capa de couro, aparentemente antigo. Depois conversou a sós com os garotos por meia hora. Logo em seguida os fenômenos cessaram. Os meninos logo se reestabeleceram, mas ficaram taciturnos, isolados dos demais, sempre conversando em voz baixa pelos cantos. Em uma noite, a tia os ouviu dizendo que o outro dia seria o dia certo. Não deu importância para isso até se lembrar do ocorrido pouco depois de encontrar os sobrinhos enforcados na mesma árvore onde a mãe deles também cometera suicídio. No bilhete deixado por Fernando, havia a revelação de que o homem que tinha acabado com os fenômenos viera para convencê-los do suicídio. Alguém os esperava do outro lado e não eram apenas a mãe. E de maneira alguma eles podiam ficar, pois suas presenças trariam o pior para a família. Apesar das tentativas, que contaram com ajuda policial, ninguém jamais conseguiu descobrir a identidade do homem que convencera os jovens.

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