Fernando
e Felipe Urias tinham respectivamente, doze e dez anos quando a mãe deles
faleceu. Os
garotos moravam na periferia do Rio do Janeiro com a mãe, duas
tias, a avó e alguns primos. O pai deles havia sumido a pelo menos cinco anos.
A mãe, sofrendo de depressão, se enforcara numa árvore, no quintal de casa. Um
mês após a morte dela, fenômenos estranhos começaram a acontecer. Objetos saíam
do lugar, barulhos estranhos eram ouvidos pela madrugada, coisas pegavam fogo e
desenhos escritos, com o que parecia ser sangue, surgiam nas paredes. A família
que tinha ligação com grupos evangélicos, chamou os religiosos para interceder
em orações pelos jovens. Logo na primeira intervenção, um jovem pastor viu um
clarão surgir entre os garotos e teve seu rosto queimado. O homem disse que
fora à casa com um certo ceticismo, mas comprovou que a coisa era para valer.
Um grupo de obreiros se reuniu numa noite em volta dos jovens e logo se viram
em meio a um turbilhão de objetos atirados contra eles. Apesar do testemunho de
familiares e dos religiosos, muita gente achou que os garotos estavam fingindo.
Ainda mais quando disseram que a mãe e outros espíritos falavam com eles.
Segundo os garotos, a voz deles surgia de madrugada e não os deixava dormir. A
tia deles disse ter ouvido vozes estranhas, nada parecida com a da irmã e que
não podia garantir que fosse os meninos que não estivessem fazendo imitações. Um
especialista em atividades paranormais foi até a casa da família Urias e disse
estar em dúvida sobre o caso se tratar de um poltergeist ou haunting. No
primeiro caso, se tratava de uma atividade psicocinetica ligada a um
adolescente manipulando objetos involuntariamente. No segundo caso, se tratava-se
de acontecimentos ligados a mortes violentas. No caso dos irmãos Urias havia
características de ambos. O especialista disse que apesar de, em ambos os
casos, haverem características comum, aquela situação em particular era
diferente e indistinta. Outros especialistas vieram e embora um ou outro
afirmasse ter classificado a situação devidamente, não houve propostas de uma
solução. Outros religiosos vieram, mas a situação das crianças apenas piorou.
Felipe sofrera terríveis queimaduras nas mãos e antebraços e Fernando tinha crises
de choro e eles já não se alimentavam ou dormiam direito. Então veio um homem,
em meio a tantos outros que visitavam a casa naqueles dias, que não alegou ser
especialista em fenômenos paranormais e nem enviado de Deus. Ele fez um pequeno
ritual lendo palavras ininteligíveis, lidas de um livro de capa de couro,
aparentemente antigo. Depois conversou a sós com os garotos por meia hora. Logo
em seguida os fenômenos cessaram. Os meninos logo se reestabeleceram, mas
ficaram taciturnos, isolados dos demais, sempre conversando em voz baixa pelos
cantos. Em uma noite, a tia os ouviu dizendo que o outro dia seria o dia certo.
Não deu importância para isso até se lembrar do ocorrido pouco depois de
encontrar os sobrinhos enforcados na mesma árvore onde a mãe deles também
cometera suicídio. No bilhete deixado por Fernando, havia a revelação de que o
homem que tinha acabado com os fenômenos viera para convencê-los do suicídio.
Alguém os esperava do outro lado e não eram apenas a mãe. E de maneira alguma
eles podiam ficar, pois suas presenças trariam o pior para a família. Apesar
das tentativas, que contaram com ajuda policial, ninguém jamais conseguiu
descobrir a identidade do homem que convencera os jovens.
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