Quando criança,
William ficou tão impressionado com histórias de terror que decidiu dedicar sua
vida ao lado obscuro. E o fez, mas não como simples hobby ou interesse por
narrativas de filmes e livros. Tornou rebelde e inconsequente muito jovem.
Voltou-se a tudo que acreditava agradar ao demônio, desde atitudes heréticas,
atos subversivos e crimes. Sim, crimes! Roubo, extorsão, agressões, abusos
sexuais e em certa ocasião, auxiliou um amigo num assassinato. Se não matou
alguém com as próprias mãos, fora simplesmente por não ter encontrado situação
propícia. Intento que ansiava realizar em breve. Projetava matar alguém em um
ritual para que pudesse contatar o próprio demônio para obter favores. Mesmo
não sendo um homem de muita leitura, William procurou em livros, a orientação
para invocar o demônio. Tentou vários que não deram em nada. Com o advento da
internet, mergulhou no mundo das creepy pastas, mas, apesar da desatinada
imaginação, considerou tudo de caráter duvidoso e pouco prático. Cada vez mais
se convenceu de que somente através de um sacrifício humano poderia se
encontrar com, segundo sua própria denominação, o maioral. Dedicou-se com mais
empenho aos crimes visando uma situação financeira mais confortável.
Estabelecido em seu barraco, buscou selecionar uma vítima. Por algum tempo
pensou em atrair uma de suas ex parceiras sexuais para consumar seu objetivo,
mas acabou desistindo. Eram mulheres conhecidas do submundo que, embora não
fizessem falta a muita gente, podiam ser facilmente associadas a ele. Ele era
bem conhecido pela polícia e qualquer indicação traria as autoridades a sua
moradia. Não só haveria indícios do crime, como no barraco tinha todo tipo de
contravenção que se podia imaginar. De drogas, cartões de créditos e objetos
roubados, à armas. Não queria voltar para cadeia de maneira alguma. Resolveu o
impasse usando como sacrifício um travesti do baixo meretrício, novo na área.
Com sua fama de machão, dificilmente alguém espalharia o boato de o terem visto
com um homossexual. Matou o jovem à facadas, usou seu sangue para desenhar no
chão um pentagrama e ficou ali pelo resto da noite chamando o Diabo. Acreditava
que dessa maneira simples e direta, teria êxito, mas nada aconteceu.
Experimentou um terrível sentimento de frustração enquanto cortava o corpo da
vítima, arrumava tudo num saco para jogar córrego abaixo. Sentiu isso não por
empatia ou arrependimento do crime que cometera, mas pelo simples fato de ter
tanto trabalho e sujar as mãos. Continuou suas atividades criminosas,
lamentando a distância do demônio e do que poderia obter dele. Um dia, conheceu
um velho que lhe disse que poderia contatar o maioral chamando-o diante do
espelho no escuro, às três da madrugada. Mesmo sem entusiasmo, William o fez.
Em dado momento, percebeu que sua imagem no espelho começou a mudar. De uma
hora para outro, um rosto de olhos imensos, semelhantes a olhos de cobra, pele
avermelhada e escamas surgiu. O demônio começou a falar e para provar sua
presença, mudou sua imagem, primeiro para o de uma mulher bonita, depois para o
do travesti assassinado. Após isso, indicou um lugar para um roubo espetacular.
No outro dia, o marginal, profundamente empolgado, se jogou na empreitada com
um parceiro, mas foi detido sumariamente. Na sua cela, refez o ritual então o
demônio surgiu mais uma vez. Disse: Sempre estive dentro de você, não precisava
procurar em outro lugar. Sempre estive contigo, de graça! Por que então eu
deveria lhe dar algo em troca? William ficou desconsolado, talvez por isso nem
reagiu domingo, 14 de abril de 2019
O DEMÔNIO NO ESPELHO (Conto de terror)
Quando criança,
William ficou tão impressionado com histórias de terror que decidiu dedicar sua
vida ao lado obscuro. E o fez, mas não como simples hobby ou interesse por
narrativas de filmes e livros. Tornou rebelde e inconsequente muito jovem.
Voltou-se a tudo que acreditava agradar ao demônio, desde atitudes heréticas,
atos subversivos e crimes. Sim, crimes! Roubo, extorsão, agressões, abusos
sexuais e em certa ocasião, auxiliou um amigo num assassinato. Se não matou
alguém com as próprias mãos, fora simplesmente por não ter encontrado situação
propícia. Intento que ansiava realizar em breve. Projetava matar alguém em um
ritual para que pudesse contatar o próprio demônio para obter favores. Mesmo
não sendo um homem de muita leitura, William procurou em livros, a orientação
para invocar o demônio. Tentou vários que não deram em nada. Com o advento da
internet, mergulhou no mundo das creepy pastas, mas, apesar da desatinada
imaginação, considerou tudo de caráter duvidoso e pouco prático. Cada vez mais
se convenceu de que somente através de um sacrifício humano poderia se
encontrar com, segundo sua própria denominação, o maioral. Dedicou-se com mais
empenho aos crimes visando uma situação financeira mais confortável.
Estabelecido em seu barraco, buscou selecionar uma vítima. Por algum tempo
pensou em atrair uma de suas ex parceiras sexuais para consumar seu objetivo,
mas acabou desistindo. Eram mulheres conhecidas do submundo que, embora não
fizessem falta a muita gente, podiam ser facilmente associadas a ele. Ele era
bem conhecido pela polícia e qualquer indicação traria as autoridades a sua
moradia. Não só haveria indícios do crime, como no barraco tinha todo tipo de
contravenção que se podia imaginar. De drogas, cartões de créditos e objetos
roubados, à armas. Não queria voltar para cadeia de maneira alguma. Resolveu o
impasse usando como sacrifício um travesti do baixo meretrício, novo na área.
Com sua fama de machão, dificilmente alguém espalharia o boato de o terem visto
com um homossexual. Matou o jovem à facadas, usou seu sangue para desenhar no
chão um pentagrama e ficou ali pelo resto da noite chamando o Diabo. Acreditava
que dessa maneira simples e direta, teria êxito, mas nada aconteceu.
Experimentou um terrível sentimento de frustração enquanto cortava o corpo da
vítima, arrumava tudo num saco para jogar córrego abaixo. Sentiu isso não por
empatia ou arrependimento do crime que cometera, mas pelo simples fato de ter
tanto trabalho e sujar as mãos. Continuou suas atividades criminosas,
lamentando a distância do demônio e do que poderia obter dele. Um dia, conheceu
um velho que lhe disse que poderia contatar o maioral chamando-o diante do
espelho no escuro, às três da madrugada. Mesmo sem entusiasmo, William o fez.
Em dado momento, percebeu que sua imagem no espelho começou a mudar. De uma
hora para outro, um rosto de olhos imensos, semelhantes a olhos de cobra, pele
avermelhada e escamas surgiu. O demônio começou a falar e para provar sua
presença, mudou sua imagem, primeiro para o de uma mulher bonita, depois para o
do travesti assassinado. Após isso, indicou um lugar para um roubo espetacular.
No outro dia, o marginal, profundamente empolgado, se jogou na empreitada com
um parceiro, mas foi detido sumariamente. Na sua cela, refez o ritual então o
demônio surgiu mais uma vez. Disse: Sempre estive dentro de você, não precisava
procurar em outro lugar. Sempre estive contigo, de graça! Por que então eu
deveria lhe dar algo em troca? William ficou desconsolado, talvez por isso nem
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